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Nem todos os filmes da lista são exclusivamente lésbicos. Em diferentes versões, contudo, fazem parte de uma filmografia respeitável sobre o assunto.
FOME DE VIVER/THE HUNGER. EUA - 1983
Susan Sarandon e a primeira dama do cinema francês, Catherine Deneuve, em beijos inesquecíveis, de vida e de morte. Esse não poderia faltar, na lista. Cena clássica: a ida da médica Sarah/Sarandon à casa da vampira chique Catherine/Miriam. A bebida derramada na camiseta branca - e justíssima - da médica, a "ajuda" da anfitriã, com uma toalha, mas, em vez de dar a toalha, senta e observa Sarah livrar-se da camiseta, de costas. Logo Miriam aproxima-se e, daí pro beijo, é só um pulinho. Tudo nos conformes: cena em câmera lenta, música lenta, pra atiçar a platéia, que não é de ferro. Quem mandou Sarah observar, hipnotizada e com a bebida na mão, Miriam tocar, ao piano, uma canção sobre uma princesa egípcia e sua escrava? Quem quiser aprofundar-se, pegue o livro.
BERLIN AFFAIR/Idem. Itália.1985
A relação tumultuada entre a esposa de um oficial alemão e uma garota japonesa. Agarração no sofá, no tatame... Infelizmente, não dá pra gente se empolgar tanto, com o desenvolvimento da história.
O MISTÉRIO DA VIÚVA NEGRA/BLACK WIDOW. EUA.1986
Esse é um dos primeiros filmes a fazer relativo sucesso no meio lésbico, apesar do enrustimento das duas personagens, vividas por Debra Winger, a do chororô Laços de Ternura, e Theresa Russell, aqui, no papel da viúva negra, a bela que envenena os maridos ricaços para casar com outros ricaços. Tudo vai bem até a intrometida policial interpretada por Debra se meter onde não é chamada. Faz-se passar por amiga da assassina, ganha sua confiança e prepara o bote. Só não contava era com a atração que surgiria cada lado. Misto de desejo e repulsa, já que a bela viúva representa o Mal. Nos anos 80, ainda era tímida a produção de filmes com temática homossexual, em especial, lésbica, e piorava se fosse com uma proposta de contribuir positivamente para a identidade lgttb.
TOMATES VERDES FRITOS/FRIED GREEN TOMATOES. EUA.1991
Mais um da safra enrustida, amor entre mulheres disfarçado em linda amizade. Conta a história de Rute e Idige. A primeira, religiosa ao extremo, que ainda por cima casa com um racista da Ku Klux Klan, na Alabama dos anos 20/30. A segunda, molequíssima e desmiolada, que se apaixona logo pela ajuizada Rute... Cultuadíssimo na comunidade lésbica. O livro homônimo, explícito, completa o filme.
UMA CAMA PARA TRÊS/GAZON MAUDIT. França. 1994
Comédia à francesa. A espanhola Victoria Abril, uma das estrelas de filmes de Almodóvar, faz graça ao encarnar uma dona-de-casa aparentemente bem-casada, não fosse ele um expert em "pular a cerca". Pra dar o troco, a esposa traída dá em cima de uma especialista em hidráulica, uma "encanadora" (Josiane Balasko, a própria diretora do filme), o equivalente a "encanador". Sem neuras, Victoria faz questão de circular em público com a amante, inclusive transar na casa do casal, pra desespero do marido.
QUANDO A NOITE CAI/WHEN NIGHT IS FALLING. Canadá.1995
Haja fôlego! Haja! Poderia ser melhor se o noivo da professora não tivesse chegado justamente na hora em que ela está deitada de bruços na cama, enquanto a artista de circo lhe massageava as costas. Elas ainda estavam "se conhecendo" e o bofe atrapalhou... Mas não tem nada não. O combustível foi lançado. O filme tem chão...
AIMÉE & JAGUAR/idem. Alemanha.1998
A primeira vez em que as duas mulheres, uma judia e a outra, mãe de uma penca de filhos, esposa de um soldado nazista, afinal conseguem demonstar fisicamente seus desejos, é de deixar saudade. Elas no leito conjugal hetero, o marido no front. A câmera não perde nenhum detalhe! Veja o filme, leia o livro, ou vice-versa.
MENINOS NÃO CHORAM/BOYS DON'T CRY. EUA.1999
Hillary Swank e Clöe Sevigny protagonizam uma das cenas mais fogosas do cinema, no chão de terra, à noite. É o momento em que a personagem de Sevigny descobre a identidade de Hillary, que se fazia passar por rapaz. Baseado em caso da vida real.
DESEJOS PROIBIDOS/IF THESE WALKS COULD TALK 2. EUA. 2000
O episódio com a Clöe Sevigny perturba até o vizinho, quando ela e a namorada se agarram na porta de casa. E a coisa não termina por aí. Destaque para a sensual dança das duas, ao som do clássico de Santana, Samba pa ti. Contudo, o episódio mais comovente, na minha opinião, é o da Vanessa Redgrave. Sua parceira morre e ela se vê de repente sozinha e triste, cercada por abutres disfarçados de parentes da falecida, que chegam para confiscar seus bens materiais, incluindo as fotos.
ASSUNTO DE MENINAS/LOST AND DELIRIOUS. Canadá.2001
Mais uma história entre adolescentes, dessa vez num colégio para garotas, que transam mesmo na presença de uma colega de quarto, sem maiores encucações. Até que a irmã de uma delas pega as duas em flagrante "delito". Cenas pra lá de ardentes. Impossível esquecer as declarações apaixonadas da protagonista à amada, recitando versos de Shakespeare, em plena sala de aula.
ALBERGUE ESPANHOL/EL APARTAMENTO ESPÃNOL. França/Espanha.2002
Embora não seja filme "específico", tem uma personagem lésbica na história, bem representada pela atriz Cécile De France, que mora no albergue do título. Um dos colegas fica interessado nela, mas a moça nem aí. A cena que vale a pena: a dança flamenca entre ela e sua professora, olho no olho, a professora lhe paquerando na cara dura. De repente, a aluna é surpreendida (?) com o maior beijo... Isso que é aula!!
MONSTER/DESEJO ASSASSINO. EUA.2003
Esqueça a babaquice do título brasileiro e do rótulo de filme de serial killer. A beldade Charlize Theron - Oscar de melhor atriz em 2004 - e Cristina Ricci não deixam por menos, beijam-se com a maior vontade, encostadas num muro, na rua. Se aqueles muros falassem... Nem parece que há câmeras por perto. Charlize caprichou. Filme pesadíssimo, baseado em fatos reais, sobre uma mulher condenada à cadeira elétrica nos Estados Unidos, por assassinato de alguns homens - imprestáveis, diga-se. Pelo menos, é o que vemos na tela.
MANGO KISS/Idem. EUA. 2003
Filme desencucado, sobre o cotidiano das lésbicas de São Francisco, EUA, divididas em "tipos": um casal estranho, a "dona" e sua "cadelinha" presa a uma coleira, por exemplo. Ficamos a par de suas festas, amizades, família, brincadeiras e jogos amorosos, cenas de ciúmes. Pras adeptas, tem inclusive uma amostra de sadomasoquismo, com direito a chicotinho e lambidas nas botas da parceira que está "no comando". Na minha opinião, a cena mais forte do filme. Mango kiss é tradução para beijo de manga. Deu pra sacar?
LIVRANDO A CARA/SAVING FACE. EUA. 2004
Gracinha de filme, super "pra cima". As atrizes são colírio. De quebra a Joan Chen, de O Último Imperador, na pele da mãe de "Wil" Pang, jovem cirurgiã que se enamora de uma charmosa e despachada dançarina, Vivian (uau!), na conservadora comunidade chinesa dos Estados Unidos. Difícil ficar séria com as tentativas de Vivian, pra beijar a medrosa (e talentosa) "Wil" e seus olhos arregalados de pavor e surpresa. Mistura comédia com romance. E dá certo. Os diálogos criativos são atração à parte. Os extras do dvd contém entrevistas e cenas de bastidores. Por sinal, a jovem diretora é lésbica.
MEU AMOR DE VERÃO/MY SUMMER OF LOVE. Inglaterra.2004.
Duas adolescentes inglesas se apaixonam durante as férias escolares, na Inglaterra. Você já viu essa história. Uma das cenas calientes se passa num rio de cachoeira. Filme razoável. Vale pelos momentos entre as duas fogosas.
BORBOLETA/BUTTERFLY. Hong Kong, 2004
O belo casal, duas chinesas, uma comportada e tímida professora de Letras de 30, Flavia (casada com homem e mãe de um bebê) e uma garota de 18, cantora de rock, não dá descanso à platéia. Sorte nossa. Mas a mocinha não é aluna de Alice.Interessadíssimas uma na outra, não perdem uma oportunidade quando estão a sós. A temperatura sobe. O primeiro beijo acontece durante um convite para Flavia almoçar na casa da garota. Na conversa de praxe, já é tarde demais quando Flavia é pega de surpresa com a boca da mocinha na sua. Flavia perde o rumo da conversa e fica muda, com o olhar enterrado no prato, a brincar com a comida. Filme carregado de imagens eróticas.
TIRANDO O VÉU/FREMDE HAUT. Alemanha/Áustria. 2005
Uma iraniana fugida disfarça-se de homem para entrar na Alemanha, já que do modo certinho não teve acordo. A moça tinha um romance com uma mulher (casada com homem), no Irã, mas não queria contar às autoridades alemães que estava fugindo do seu país por causa disso. Já na Alemanha, sob o nome masculino de Fariba, ela/ele conhece uma loira que lhe dá a maior bola, pensando se tratar de um homem, apesar da rejeição de Fariba. Que não quer complicações, só poder trabalhar em paz e conseguir o visto permanente. Mas claro que pinta um forte envolvimento e é emocionante quando a loira vai descobrindo a verdadeira identidade "do seu namorado", a desenrolar os váááários metros de faixa que lhe ocultavam os seios.
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