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CARTA de APRESENTAÇÃO
Na escuridão da noite
Meu corpo igual
Fere perigos
Adivinha recados
Assovios e tantãs (...)
(1)
Quando nos arrastaram da África para os
portos do Haiti, Jamaica, Cuba, Mississipi e Brasil, não sabiam que
nossos corações separados continuariam a bater como se tivessem em um
só corpo. E que nossas vozes, mesmo fraturadas, continuariam cantando
em uníssono.
(2)
Falar de lesbianidade e negritude e dar
expressão ao nosso corpo, e percebemos nossa sensibilidade, nossa
vulnerabilidade, nossa transcendência.
É difícil falar da lesbianidade negra, pois estamos falando de nosso
corpo estético –político – marcado por experiências pessoais singulares
de exclusão e preconceito, pelos poderes sociais e hostis. (3)
Através da criação do Coletivo de lésbicas negras feministas autônomas,
ocorrido no VII Encontro de lésbicas latino- americanas e caribenhas –
VII ELFLC, Santiago-Chile, Nasce para fazer uma reflexão e propor o
debate aberto despretensioso e sincero sobre a questão das lésbicas
negras, no movimento de mulheres negras,bem como extrapolar fronteiras
preconceituosas e lesbofóbicas existentes no movimento negro em geral,
para seguidamente juntos enquanto negras e negros, oprimidos pela
segregação racial, lutarmos por uma sociedade “democrática radicalmente
pluralista,multicultural e solidária, que abarque o Estado, a
sociedade, a família e as relações amorosas”.(4)
Este coletivo, acredita que as questões raciais, o sexismo, são
problemas que não afetam apenas as mulheres e os negros, mas toda a
sociedade, “pois são fontes de injustiça , de intolerância, de
violência, de fraturas, enfraquecendo todo o potencial de solidariedade
e sociabilidade que todos nós como seres humanos possuímos”.(5)
Queremos desconstruir esta forma imposta de se fazer política, a busca
da posição dominante a qualquer custo, o vale-tudo, para derrotar
oponentes – seja pelas heterossexuais, seja pelos homossexuais.
Queremos partilhar democraticamente todos os tipos de poderes,
construir solidariedade na diferença, no dialogo, escutar ativamente e
reciprocamente, acreditamos no respeito mútuo, no sentimento de
igualdade moral e política entre as pessoas.
Para alcançarmos este objetivo, devemos colocar a questão da
lesbianidade na discussão racial como ordem do dia, reconhecendo que a
lésbofobia racial existe e deve ser denunciada e combatida,
principalmente entre nosso movimento negro. Queremos através deste
coletivo colocar em prática a verdadeira libertação sexual,
incorporando valores históricos de nossa etnia,lutamos para que a
sociedade brasileira assuma definitivamente sua identidade pluriracial
e seja também expressa pela nossa cara, Lésbica negra!
Gênero e raça são eixos estruturantes dos padrões de desigualdades e
exclusão social no Brasil. É impossível eliminar esses padrões de
desigualdade e exclusão sem enfrentar –ao mesmo tempo – as
desigualdades e a discriminação de gênero e de raça e principalmente
devemos acordar que para eliminarmos estas desigualdades devemos
debater profundamente a questão das lésbicas negras para que assim
possamos caminhar juntos nesta luta pela igualdade racial.
“Homossexuais negros sofrem dupla
discriminação em função de sua cor e de sua orientação sexual. Também
dentro da comunidade negra, a homossexualidade é vista como
debilitante, como um ultraje à ordem social estabelecida e a imagem do
homem negro que é tido como símbolo de masculinidade”. (6)
As lésbicas negras, bem como os gays negros sofrem violências físicas
às vezes até a morte, porém o sofrimento psicológico pela negação da
sua condição de ser do gênero feminino, de identidade e condição humana
também.
O Coletivo quer sobre , o que é compreendido em primeiro lugar, que a
lesbianidade, tal como a homossexualidade masculina “é uma categoria de
comportamento possível apenas numa sociedade sexista, caracterizada por
papéis sexuais rígidos e dominada pela supremacia do homem.Esses papéis
sexuais desumanizam a mulher, definindo-nas como uma casta de apoio –
serviço em relação à classe dominante dos homens e tornam os homens
inválidos emocionais aos lhes exigir que sejam alienados dos seus
próprios corpos e emoções de modo a executar eficientemente as suas
funções econômicas - política -militares.A Homossexualidade é um
produto secundário de uma forma particular de definir papéis (ou
padrões aprovados de comportamento) com base no sexo, e como tal é uma
categoria inautêntica (que não está de acordo com a” realidade “).Numa
sociedade em que os homens não oprimissem as mulheres, e em que fosse
permitida a expressão sexual seguir os sentimentos, as categorias
homossexualidade e heterossexualidade iria desaparecer “.(7)
O Coletivo de Lésbicas Negras Feministas Autônomas, surge para
aprofundar estes debates e por acreditar que a participação da lésbica
negra deve estar em todos os setores dos movimentos sociais, espaços
políticos e institucionais, entendido por nós como uma necessidade para
conter a dominação dos grupos sociais minoritários, geralmente
representado pelo macho-adulto.
Mesmo com as contradições internas no movimento feminista acreditamos
que o mesmo tenha avançado e contribuído teoricamente sobre a
lesbianidade, a partir do debate sobre sexualidade em geral. Ë nestes
avanços que uma participação maior de lésbicas nos encontros nacionais
e internacionais feministas que as contribuições nos processos de
políticas públicas para as mulheres que as lésbicas negras organizam-se
para a implantação e implementação deste debate no movimento feminista
e na sociedade civil.Pois como lésbicas negras, “sabemos bem quanto
trazemos em nós a marca da exploração econômica e de subordinação
racial e sexual. Por isto, trazemos conosco a marca da libertação de
todas e todos.” (8)
DOS PRINCÍPIOS DESTE COLETIVO
Este coletivo também denominado Candace –BR, através desta carta vem se
apresentar à sociedade brasileira, com este conteúdo que é o queremos
debater e com os seguintes princípios baseados em três vertentes,
Racismo, feminismo e Classe.
- Autonomia
- Horizontalidade
- Transparência
- Radicalidade
- Ética
- Intolerância a violência, racismo, sexismo, lesbofobia.
- Autodeterminação
- Sororidade
NOSSOS OBJETIVOS
- Combater todas as formas de violência, lesbofobia e racismo.
- Incentivo a pesquisa sobre raça e lesbianidade.
- Lutar pela Inclusão social de lésbicas negras em saúde, moradia,
geração, trabalho e renda, educação, comunicação comunitária,
tecnologia, cultura e arte.
ORGANIZACÃO
Este está organizado horizontalmente por
cinco comissões , onde as mesmas são escolhidas entre todas integrantes
do coletivo em reunião anual do mesmo.
- Comissão moderadora
- Comissão de ética
- Comissão de articulação e projetos
- Comissão de cultura e arte.
Em especial alguma integrante poderá ser
excluída da comissão, bem como do coletivo quando se fizer necessário
através de uma carta justificativa acordada pela maioria das
integrantes da rede ou na reunião anual.
DA PARTICIPACÃO NO COLETIVO
Participam deste coletivo, apenas
lésbicas negras, convidadas pelas fundadoras associadas, devendo passar
preencher ficha de adesão e passando por critério da comissão
moderadora e só estará apta a responder pelo m,esmo após sua primeira
participação no encontro anual.
DO CONSELHO NACIONAL E INTERNACIONAL
Participam deste conselho, feminista
lésbica ou não, independente de sua raça-etnia, desde que o coletivo
compreenda a importância da convidada para o avanço e o debate deste
coletivo para com seus objetivos.
INTEGRANTES DO CONSELHO NACIONAL E INTERNACIONAL
Claudete Costa –RS
Silvana Conti –RS
Maria Angelica Lemos – SP e DF
Ochy Curiel – México
Érika – México
Ester – México
Julieta – Colombia
Cecilia –México
Celeste Vinet – Chile
Claudia – Chile
Apenas farão parte deste conselho
mulheres convidadas por integrantes do coletivo que farão uma
apresentação formal da convidada e a mesma preencherão a ficha de
inclusão no conselho após debate interno do coletivo.
ASSINAM ESTA CARTA
Leila R. Lopes –R
Arielle Meirelles –RS
Maria Odete Bento –RS
Norimar das Neves Siqueira – RS
Fátima de Oliveira –RS
Solange Feliciano de Souza –RS
Anelise Quiroga -RS
Joelma Cezário –DF
Luana Ferreira -DF
Cintia fernanda Gomes - PE
Rivânia Rodrigues -PE
Verônica Lourenço -PB
Cintia Clara - GO
Marta Almeida Filha – PE
Marcia - SP
Atiele - SP
Aminwa do Ébano –SP
Roseli Macedo Silva – RN
Muito axé para todas e todos,
Coletivo de Lésbicas Negras Feministas Autônomas
21 de Março de 2007.
Referências bibliográficas
1. Meu corpo igual. Cadernos negros 15. São Paulo-Quilombo hoje – literatura 1992.
2. Write, Evelyn C. Oakland Califórnia –
O livro da Saúde das mulheres negras_ nossos passos vem de longe –RJ,
Pallos, Criola, 2000.
3. Werneck, Jurema. Mendonça, Maisa.
Write, Evelyn C.- O livro da Saúde das mulheres negras_ nossos passos
vem de longe –RJ, Pallos, Criola, 2000.
4. Silva, Benedita – Assistente social,
discurso mesa “as mulheres negras no processo de colonização e sua
reação durante este período, XIII encontro nacional feminista.
5. Silva, Benedita – Assistente social,
discurso mesa, “As mulheres negras no processo de colonização e sua
reação durante este período, XIII encontro nacional feminista.
6. Diéne, Doudou – relatório racismo, discriminação racial, xenofobia e
todas as formas de discriminação,pg. 13, auto comissariado das Nações
Unidas para os Direitos Humanos, Outubro, 2005.
7. The woman – Identified woman, radical lesbian 1970.
8. González, Lélia. A importância da
organização da mulher negra no processo de transformação social. Raça
& dane (5). 2, Nov-dez 1988.
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Formação atual do CANDACE-BR
COLETIVO NACIONAL DE LÉSBICAS NEGRAS FEMINISTAS AUTÔNOMAS -
REGIÃO SUL
LEILA REGINA LOPES
ARIANE MEIRELES
MARIA ODETE BENTO
NORIMAR DAS NEVES SIQUEIRA
FÁTIMA DE OLIVEIRA
SOLANGE FELICIANO DE SOUZA
ANELISE QUIROGA
REGIÃO SUDESTE
AMINWÁ DO ÉBANO
ATIELY QUEEN
CLAUDIA ROSA
LUCIA CASTRO
LUANA CARDOSO
MARA MINIASSAN
MARCIA IZZO
JESICA ROSA
REGIÃO CENTRO OESTE
JOELMA CEZÁRIO
REGIÃO NORDESTE
MARTA ALMEIDA FILHA
MARYLUCIA MESQUITA
ROSELI MACEDO SILVA
FABIANA CRUZ FRANCO
CONSELHO NACIONAL
DORALICE SIMÕES
CLAUDETE COSTA
SILVANA BRASEIRO CONTI
MARIA ANGELICA LEMOS
CELIA ORLATO
CONSELHO INTERNACIONAL
OCHY CURIEL – MÉXICO
ÉRICA MONTESINOS – MÉXICO
JULIETA - COLÔMBIA
CECÍLIA - MÉXICO
CELESTE VINET – CHILE
CLAUDIA - CHILE
ARACELLI BELOTA - ARGENTINA
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